O segmento de luxo está a mudar. As coleções reflectem cada vez mais os gostos dos mais novos, que querem uma imagem reflectora dos seus gostos e formas de estar na vida. As marcas tradicionais de luxo adaptam-se aos mercados e aos novos hábitos de consumo, apresentando propostas que se inspiram nos estilos desportivo e de rua…

Mónica Lopes

Em pleno calendário das semanas de moda internacionais, as coleções conciliam estilos que agradam a quem compra. Cresce a relação entre as marcas de luxo e o estilo ‘streetwear’, em coleções que seduzem as camadas etárias mais novas e com poder de compra. Da Louis Vuitton à Balenciaga, da Hermès à Armani, da Comme des Garçons à Prada, ou da Chanel à Saint Laurent, estes são alguns dos exemplos que mostram que os gostos de hoje divergem dos gostos de outros tempos. Quem aprecia peças de roupa e dá importância à imagem, gosta de mostrar um estilo muito próprio aos olhos de quem vê, um estilo que reflecte antes de mais, a personalidade. A imagem é o cartão de visita de cada um de nós, com uma linguagem própria e que dispensa palavras para ser descrita. A tendência do momento, para além das tendências sazonais, é o ‘streetwear’. Uma tendência que nasce em Nova York, nos meados dos anos 80, inspirada na subcultura do hip-hop e do estilo desportivo, conhecido por ‘sportswear’. Gerações influenciadas pelo ‘skate’, ‘punk’, ‘hardcore’, ‘reaggae’, ‘hip-hop’, grafite, estéticas nascidas nas comunidades desfavorecidas que promovem o anti-norma, provocando reações nas camadas sociais ditas “normais”. Na verdade, todas estas abordagens surgem sempre pelas camadas mais jovens, na procura de uma identidade própria, expressada, principalmente, pela maneira de escolher e usar as roupas. Estão presentes elementos de diferentes culturas, e com isso, a possibilidade de criar combinações para se vestirem, cuja imaginação não tem limite. As calças ‘jeans’, camisas de quadrados ou de padrões garridos, ténis, mochilas, bonés, blusões de algodão ou cabedal, estão entre as peças chave de um estilo que nasce das ruas.

Muitos estilistas de marcas de luxo, assumem o estilo ‘streetwear’ nas coleções, procurando originalidade, atitude e, basicamente, uma postura jovem com um rasgo de ousadia. “Cresce o número de marcas que nascem, cheias de talento, levando marcas como a Gucci a estarem atentas e sempre um passo à frente,para poderem sobreviver. Desde que o designer Alessandro Michele assumiu a direção criativa da Gucci, a marca percebeu que os clientes estão com uma nova atitude e um novo entusiasmo, que se reflete nas ruas”, salienta Marco Bizzarri, CEO da Gucci. Além de todas as qualidades do estilo de rua, existe ainda aliado o factor conforto. É um facto que, a cada temporada, a distância entre as marcas de luxo e de ‘streetwear’ vem diminuindo, resultando em parcerias, colecções-cápsula e, até mesmo, na renovação do visual das tradicionais marcas. A intenção é atingir um público mais jovem e vemos assim, colaborações entre marcas de luxo como Louis.Vuitton, Gucci, Burberry ou Tommy Hilfiger com marcas que têm o estilo ‘street style’, no seu ADN. O ‘streetwear’ está em evidência e caiu no gosto da moda, mas esse estilo de vida não segue uma tendência, tornou-se ele próprio uma tendência. Como dizem os profissionais de moda, as tendências são passageiras, mas o ‘streetwear’ permanecerá firme e intacto como sempre se manteve.