Fotografia: João Tuna

Depois de A Promessa, de Bernardo Santareno, o Teatro Nacional São João (TNSJ) estreia no dia 13 de junho a sua segunda produção própria da temporada 2017/2018: Lulu. Mais de um século depois das várias versões e encenações originais da peça, Lulu será pela primeira vez representada em Portugal, numa “aventura” liderada pelo encenador Nuno M Cardoso que encerra assim um ciclo de espetáculos que principiou com Gretchen, de Goethe (2003), e prosseguiu com Emilia Galotti, de Lessing (2009). Nesta versão com tradução de Aires Graça, Nuno M Cardoso recupera cinco dos sete atos de Espíritos da Terra e de A Caixa de Pandora – textos conhecidos como as “tragédias” de Lulu de Frank Wedekind.

Lulu é, segundo Edward Bond, “uma peça sobre sexo, dinheiro e violência. Lulu é a história profética do capitalismo”. O espetáculo é também uma viagem sacrificial de uma mulher multifacetada – Lulu tanto nos surge como uma esposa domesticada, como uma personagem infiel e devassa – que luta pela sua liberdade. Por isso mesmo, e para representar a personagem, Nuno M Cardoso coloca em cena duas atrizes (Vera Kolodzig e Catarina Gomes) e uma bailarina (Sara Garcia) que vão dar voz e “corpo” a três Lulus, com diferentes graus de maturidade, que passam por três cidades europeias (Berlim, Paris e Londres). Em cena até 22 de junho, a peça regressa novamente de 27 a 30 desse mês: quarta-feira e sábado, às 19h00; quinta e sexta-feira, às 21h00; e domingo, às 16h00. No dia 14 de junho, está agendada uma conversa pós-espetáculo com atores e encenador. A récita de 17 de junho contará com audiodescrição e tradução em Língua Gestual Portuguesa (LGP).